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A fotografia de vida selvagem vai muito além do registro estético: ela é ferramenta de conhecimento, sensibilização e conservação. Quando aliada à ciência e à educação ambiental, seu impacto se torna ainda mais profundo.

Nesta entrevista exclusiva para o Clube de Fotografia Campinas (CFC), conversamos com Leonardo Casadei — fotógrafo de vida selvagem, biólogo, mestre em ecologia, professor e autor do livro Aves da Costa da Mata Atlântica. Ao longo da conversa, Leonardo compartilha sua trajetória, seus processos criativos, o olhar atento sobre a biodiversidade brasileira e o papel da fotografia como ponte entre a natureza e as pessoas.

Uma conversa inspiradora para fotógrafos, educadores, estudantes e todos aqueles que acreditam na imagem como instrumento de transformação.

***Você tem uma trajetória que une biologia, ecologia e fotografia. Como começou sua relação com a natureza e, depois, com a fotografia de vida selvagem?

L.C.: A paixão pela natureza nasceu de criança. Passava horas vendo as formigas se movimentarem, observando a vida no jardim da minha casa. Colecionava revistas, livros, álbuns e tudo o que pudesse saciar a minha curiosidade incessante sobre a vida selvagem.

Costumo dizer que a gente nasce biólogo. Infelizmente quando crescemos a curiosidade vai se perdendo. A minha continuou e isso tudo me fascina demais. Estar na natureza para mim é fazer um mergulho de contemplação, esquecer dos problemas e relaxar o estresse.

A biologia e ecologia são minhas paixões. Minhas áreas preferidas de estudo. Comecei a fotografar aves para eternizar as imagens que meus olhos viam e poder compartilhar com as outras pessoas.

Para mim cada foto, cada espécie clicada, cada uma das imagens que fiz, tem uma história. Quando olho para cada foto, viajo, vou numa fração de segundos ao momento da cena, vivo toda aquela emoção novamente; acredito que este seja o maior poder de uma foto: reviver os momentos.

***Em que momento você percebeu que a fotografia poderia ser uma ferramenta tão poderosa quanto a ciência para comunicar e sensibilizar as pessoas sobre a conservação?

L.C.: Transmitir, por meio de imagens, a beleza de cada espécie com o máximo de realismo possível e, assim, sensibilizar para a importância da preservação ambiental é algo fascinante. As pessoas se sentem tocadas, provocadas. As aves possuem uma beleza extraordinária; é impossível permanecer indiferente.

Quando comecei a publicar essas imagens, percebi o quanto existe uma profunda carência de conhecimento sobre a nossa fauna. Para muitos, esse universo parece distante, quase inacessível. Minha missão é justamente aproximar esse mundo das pessoas. Infelizmente, as grandes cidades, a tecnologia e o ritmo acelerado do trabalho afastam cada vez mais o ser humano do seu ambiente natural, a floresta.

Abrir esse universo para as pessoas é o que me move. Mostrar que as aves estão por toda parte e podem ser admiradas a qualquer momento: no jardim, no parque, na praça ou pela janela de casa. No fundo, minha missão é despertar nas pessoas o interesse pela observação de aves.

Isso aconteceu comigo. Mesmo sendo biólogo, há 16 anos atrás eu não sabia o que era uma cambacica. Depois que esse mundo se abriu, ele nunca mais se fechou. A maioria das pessoas não faz ideia da imensa diversidade de aves que existe em nosso país. A observação de aves salva, cura, conforta, alegra e nos reconecta à nossa verdadeira essência: uma vida simples, natural.

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 ***Como sua formação acadêmica em biologia e seu mestrado em ecologia influenciam seu olhar fotográfico no campo?

L.C.: Acredito que isso ajuda muito no trabalho de campo, pois desenvolve um olhar treinado. Na natureza, observamos tudo: uma flor, um inseto, até chegar às aves, que são a nossa maior paixão. Ao mesmo tempo, conheço muitas pessoas que, mesmo sem formação acadêmica, possuem um olhar profundo e sensível para a diversidade. É uma questão de treinar o olhar.

***A fotografia de vida selvagem exige paciência, técnica e respeito ao ambiente. Quais são, na sua opinião, os maiores desafios dessa área hoje?

L.C.: A fotografia de aves exige muita paciência e persistência. Às vezes, podem passar anos até que uma determinada ave permita um bom registro. São animais ariscos, voam o tempo todo, estão sempre em movimento… rs. Em alguns dias até “dão mole”, mas pousam em locais escuros ou no meio da mata, onde a falta de luz impede uma boa fotografia.

Houve épocas em que eu passava um fim de semana inteiro em frente a um ninho. Durante o período de choco, chegava a esperar três horas por uma única foto, apenas para registrar a troca de plantão de casais de pica-paus ou tucanos que se revezavam nos cuidados com a prole. Qualquer pessoa que passasse por ali nesse intervalo não veria absolutamente nada: as aves são extremamente cautelosas, entrando e saindo do ninho de forma rápida e discreta, quase invisível.

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Mas é uma paixão. É preciso gostar muito do que se faz e saber lidar com as frustrações, porque nem toda saída de campo rende boas imagens. Por outro lado, quando finalmente conseguimos aquela foto especial ou temos “aquele” encontro tão sonhado com uma ave, todo o esforço vale a pena. É um momento de êxtase. Costumo dizer que é preciso respeitar o tempo da ave e da natureza — sem pressa, sem pressão. Uma hora, a boa foto acontece.

Além disso, estar na natureza já é, por si só, uma recompensa: respirar ar puro, sentir o cheiro do mato, desacelerar. É meditação, terapia, alívio para a alma. Só isso já faz a saída valer a pena; as fotos acabam sendo um bônus extra do campo.

Um dos maiores desafios que enfrentamos hoje como observadores é o desmatamento. Comecei a fotografar há 13 anos e, ao retornar a muitos dos locais onde iniciei, encontro áreas tomadas por casas, com a mata sendo engolida pouco a pouco e inúmeras espécies perdendo seus lares. É profundamente triste. Nenhuma árvore deveria ser cortada. Infelizmente, a realidade é assustadora. Precisamos lutar cada vez mais pela preservação das áreas naturais. Esse é o nosso dever e nossa responsabilidade enquanto observadores da vida selvagem.

***Existe alguma espécie — especialmente de aves — pela qual você tenha um carinho ou fascínio especial? Por quê?

L.C.: Sempre que penso nisso fico dividido. Sou completamente apaixonado por tucanos e pica-paus — aves de uma beleza extrema, sobre as quais inclusive escrevi um livro. Ultimamente, porém, tenho me encantado cada vez mais com os beija-flores… rs. No fundo, amo todas. Cada espécie, com seu modo de vida, é única. As aves são todas incríveis.

Mas, se tivesse que escolher uma espécie favorita — e isso não é segredo para ninguém — seria, sem dúvida, o Tiê-sangue. Foi a partir do momento em que ele começou a aparecer aqui em casa que passei a observá-lo com mais atenção. Sou completamente apaixonado por essa ave e, felizmente, não posso reclamar: ele sempre me brinda com ótimas oportunidades de fotografia… rs.

31081754462?profile=RESIZE_400x***Entre tantas imagens produzidas ao longo da carreira, há alguma fotografia que seja especialmente marcante ou significativa para você? Pode nos contar a história por trás dela?

L.C.: Foram tantos momentos marcantes ao longo do caminho que é difícil eleger apenas um. Ainda assim, acredito que um dos mais especiais tenha sido a primeira imagem que realmente ganhou destaque nas redes sociais: a foto da corujinha virando a cabeça, feita no início da minha carreira, em 2013.

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Fiquei imediatamente fascinado pelo fato de a coruja não demonstrar nenhum desconforto com a minha presença. Pelo contrário, ela estava extremamente tranquila e foi se aproximando aos poucos, voando para uma palmeira bem à minha frente. De repente, como se percebesse que estava sendo fotografada, passou a se comportar como uma celebridade diante de um paparazzo: começou a fazer poses, torcendo o pescoço e me observando atentamente.

Parecia curiosa comigo e com a câmera. Talvez estivesse tentando me enxergar de outros ângulos. Eu nunca tinha visto algo assim. Já conhecia o movimento das corujas ao virarem a cabeça para os lados, mas não daquela forma, quase lateral ao corpo. Foi uma situação totalmente incomum, e naquele momento só consegui sentir gratidão. Lembro de pensar: essa coruja é praticamente uma yogi...rs

Na época, a imagem circulou intensamente pela internet e fez um enorme sucesso entre os amantes da natureza e dos animais. A foto rodou o mundo, e cedi os direitos para diversos veículos de imprensa. Ainda hoje, depois de tanto tempo, sempre que olho para essa imagem fico surpreso.

Foi um verdadeiro presente. Muitas pessoas me conhecem até hoje por causa dela: “Ah, você é o Leonardo da foto da corujinha!”. Vale lembrar que, naquela época, as redes sociais ainda não tinham a força que possuem hoje. Fico muito feliz ao ver a reação das pessoas diante da imagem — dizem que ela transmite uma sensação boa, divertida e extremamente amigável.

***Seu trabalho também tem um forte viés de educação ambiental. Como você enxerga o papel do fotógrafo como educador e agente de transformação social?

L.C.: A educação ambiental chegou à minha vida antes mesmo da fotografia. Fiz parte de um grupo voluntário que realizava palestras em escolas e eventos, levando mensagens sobre a importância da preservação ambiental. Mais tarde, passei a atuar como professor e educador ambiental pela prefeitura. Foram anos de projetos, milhares de alunos atendidos e um trabalho que sempre foi minha grande paixão. Com o tempo, a fotografia passou a fazer parte desse caminho. Como mencionei anteriormente, ela tem o poder de aproximar as pessoas da vida selvagem. É preciso conhecer para preservar. A fotografia funciona como uma forma de comunicação poderosa, quase como um pedido da própria vida selvagem: “eu existo e preciso da floresta preservada para continuar meu ciclo de vida”. Ao tocar o coração das pessoas, ela se torna um instrumento forte e transformador de sensibilização e educação ambiental.

31081757459?profile=RESIZE_400x***Falando sobre o livro “Aves da Costa da Mata Atlântica”, como surgiu a ideia de escrever essa obra e qual foi o principal objetivo ao publicá-la?

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L.C.: A ideia do livro nasceu do sonho de compartilhar minhas imagens com as outras pessoas e, ao mesmo tempo, auxiliar na identificação das espécies em campo na minha região. Este é o primeiro guia de aves da Baixada Santista. A região está inserida em uma área de Mata Atlântica e ecossistemas associados — como manguezais, restingas, ilhas oceânicas e costeiras —, formando um dos ambientes mais ricos do planeta em diversidade de aves. Conhecer essa riqueza é fundamental para que todos possam valorizá-la e preservá-la.

***Como foi o processo de produção do livro, desde o trabalho de campo até a seleção das imagens e dos textos científicos?

L.C.: Foram dez anos de observação contínua. Praticamente todos os fins de semana em campo, somando milhares de horas de dedicação e incontáveis imagens captadas. Houve muita lama, chuva, carrapatos e picadas de insetos… rs

O momento mais emocionante, porém, foi o lançamento da primeira edição do livro — um grande sonho realizado. O caminho até a publicação não foi fácil: encontrei muitas pedras pelo percurso e não consegui patrocínio. Cheguei a ter o projeto aprovado pela Lei Rouanet, mas acabei perdendo o prazo de captação de recursos por não conseguir parcerias.

Diante disso, decidi bancar tudo, mesmo sendo um investimento alto, pois era um sonho antigo. Fui juntando dinheiro aos pouquinhos e o projeto foi ganhando forma. No fim, tudo deu certo, porque quando fazemos as coisas com amor, dedicação e empenho, não há como dar errado.

***A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Na sua visão, como a fotografia pode ajudar na valorização e preservação desse ecossistema?

L.C.: Através da fotografia, conseguimos revelar a rica diversidade de vida no interior da Mata, trazendo à tona uma exuberância muitas vezes invisível para a maioria das pessoas. Nosso objetivo é despertar o interesse e conscientizar sobre a importância de manter a floresta intacta, essencial para a preservação da vida.

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***Que conselhos você daria para quem está começando na fotografia de vida selvagem e deseja unir imagem, ciência e conservação?

L.C.: Amar o que se faz acima de qualquer coisa. Sempre se aprimorar. Testar tudo, sempre. Se testar e testar o público, vendo o que dá certo. Não ter medo de se expor. Publicar as imagens e ir sempre buscando melhorar. Estudar seu equipamento e tirar o melhor proveito dele. Respeitar a natureza, o tempo e os ciclos. Ser sincero, honesto, verdadeiro. Expor o seu sentimento a todo o tempo e a alegria de poder realizar esse trabalho tão prazeroso e enriquecedor que é a observação da vida selvagem. 

31081759861?profile=RESIZE_584x***Para finalizar, quais são seus próximos projetos — seja em fotografia, pesquisa, educação ou novas publicações?

L.C.: Trabalhei 10 horas por dia, por muitos anos. Nos últimos 2 anos consegui diminuir um pouco a carga horária no meu trabalho. Embora muita gente não saiba, sou professor na rede pública de ensino, dando aulas de Ciências para o Ensino Fundamental. A observação de aves, que tomou proporções tão grandes na minha vida, continua sendo, ainda, um hobby. Espero poder me dedicar mais, intensificar o trabalho nas redes sociais. Quero muito viajar. Ainda não conheço a Amazônia. Imagino quantas aves incríveis vou conhecer pessoalmente quando estiver por lá. Penso em novas publicações também, mas ainda é cedo para falar sobre. Estou pesquisando algo que possa ir de encontro com o interesse das pessoas. Mas, acima de tudo, é isso: não tem como parar. A observação de aves é uma paixão imensa, uma força que me move. É o que me faz respirar e acordar todos os dias com o desejo de realizar e compartilhar ainda mais.

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A trajetória de Leonardo Casadei revela como a fotografia, quando guiada pelo conhecimento e pelo respeito à natureza, pode se tornar uma poderosa aliada da conservação e da educação ambiental. Seu trabalho nos lembra que observar, compreender e registrar a vida selvagem é também um ato de responsabilidade.

O Clube de Fotografia Campinas (CFC) agradece imensamente a disponibilidade e a generosidade do Leonardo em compartilhar sua experiência, seu olhar e sua paixão pela biodiversidade brasileira.

Que esta entrevista inspire novos caminhos, olhares mais atentos e uma relação cada vez mais consciente com o mundo natural.

Redes Sociais do Leonardo Casadei: Instagram , site e produtos , facebook

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Enquadramento e crop

Aproveitando o tema do “work shop” passado que fizemos no Taquaral falando de regras ou boas praticas de composição de imagem, ficou no ar a sensação de que a foto deve ser entregue de forma perfeita, seguindo as regras aplicáveis e especialmente a mais fácil delas que é a regra dos terços.
No momento do enquadramento, já que temos as linhas de grade auxiliares tanto na câmera quanto na tela do celular, o ideal é fazer melhor possível o enquadramento de modo que no final a foto fique o mais chamativa possível. Agora, vamos combinar que nem sempre é possível compor de modo que o motivo principal ou outros elementos fiquem exatamente sobre as linhas e os pontos de interesse. Isso seria perfeito, porém perfeição em campo com tantas variáveis é pedir demais. No estúdio fotográfico, aí sim onde tudo é controlado, dá para chegar perto da perfeição.
Um pouco de flexibilidade é necessário. Se o motivo fica um pouco a esquerda ou a direita das linhas já funciona, se o ponto de interesse não está exatamente sobre o olho do modelo e sim um pouco deslocado, isso não invalida o objetivo da foto.


Assim como muitas das distrações que aparecem na imagem são difíceis de eliminar por melhor que trabalhemos a composição. Qual é então o nosso socorro? Melhorar esse enquadramento na edição da foto. É o chamado “crop” onde se retira tudo que está em excesso na imagem gerando distrações ou um ajuste na aproximação do motivo. É só lembrar que na fotografia, quanto mais perto melhor, até para as paisagens – a depender do caso.


Veja o exemplo abaixo:

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A ideia aqui era registrar o momento de um gato sendo gato. Com todo o movimento a sua volta, deitou-se e resolveu descansar, quase alheio ao seu redor. Perceba que a imagem, mesmo obedecendo a regra dos terços e com uma moldura natural e várias linhas que direcionam o olhar para o bichano, tem várias distrações.

Um fundo confuso com bancos, mesa e vegetação e para piorar, nítidos e um copo amassado saltando a vista no primeiro plano, e mais, de cor vermelha chamando mais atenção do que o próprio gato o real motivo. Mais uma coisa importante a imagem também saiu assim com pouca aproximação por receio de perturbar o gato e perder a cena.

Agora vamos à nossa imagem final.

O recurso do “crop” na edição final foi fundamental para dar o impacto visual que o bichano merece e passar a sensação de que ele está descansando tranquilamente. A composição obedece a regra dos terços com a linha superior e a linha direita quase na cabeça do miau.

Temos uma moldura forte com uma linha curva que leva o olho diretamente onde queremos: o gato. Várias linhas auxiliares do calçamento que também direcionam o olhar quase em looping, linha reta, curva, cabeça. E o fundo agora completamente homogêneo, sem distrações.

 

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Uma edição mais apurada das cores, sombras e luzes dariam ainda um toque especial, mas, o objetivo aqui é realmente mostrar como trazer através do “crop” algumas imagens mais distantes para perto e eliminar as distrações.

Vamos ao segundo exemplo.

No caso uma foto de street view, onde a discrição é importante para que o registro da cena não se altere e o momento se perca.

Aqui uma mãe brinca com seu bebê alheia a movmentação ao seu redor. A interação mãe filho(a) é muito terna e cria uma atmosfera de intimidade e inocencia, um momento especial. Qualquer aproximação ou até mesmo um anuncio da presenca e a autorização para fazer a foto quebraria a mágica do momento.

 A foto original:31063004489?profile=RESIZE_584x

Perceba que a foto está em conformidade com a regra dos terços, mãe e bebê estão na interseccção das linhas superior e linha esquerda com o ponto de interesse neles. O fundo homogeneo em PB não causa muitas distrações. Onde está a distração? Na parte mais clara da fotografia junto com o casal que vem caminhando como que entrando na foto.

Qual a solução? Novamente fazer um “crop”de forma dar um pouco mais de aproximação na imagem e retirar os elementos de distração, que talvez em um novo enquadramento poderiam ser eliminados, com risco de se perder a ternura da cena.

Vejamos como fica na edição: 

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Note que ao reenquadrar a imagem usando as linhas de grade do editor, levo a imagem para outro patamar eliminando as distrações e aproximando um pouco mais o motivo e dando assim maior ênfase no momento ternura. Tudo dentro da regra dos terços.

A imagem final:

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Resumindo:

É sempre bom conseguir o melhor enquadramento na hora de fotografar evitando trabalho a mais na hora da edição. Porém, nem sempre é possível por várias questões ligadas ao ambiente, ao equipamento que está em uso, celular ou câmera e a própria dinâmica do local. O mais importante e já ter formado na mente a fotografia final. Então, na edição revise a imagem e veja se tem oportunidades de melhoria usando o “crop”.

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Review Nikon D5200

Review Nikon 5200


Dirigida a iniciantes na categoria DSLR, a Nikon D5200 tem entre os recursos da nova câmera que superam os da versão anterior estão o sensor de maior resolução (24,1 megapixels) e o complexo sistema de foco com 39 pontos AF sendo 9 deles cruzados, o que confere a esta câmera condições de obter foco mais preciso 

Também a performance do modo de fotos sequenciais da Nikon D5200 passa a perna no das irmãs mais velhas com até 5 disparos por segundo. Também é a única deste braço da família Nikon equipada com microfone estéreo para a filmagem 

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Fabricada nas cores preta, vermelha e bronze, a Nikon D5200 traz, à parte dos diferenciais, tudo que se espera nesta categoria, como modo Live View disponível com vários tipos de foco, visor óptico com ajuste de dioptrias, flash pop-up (alcance de 12m) e sapata para flash externo sem modo remoto, controle manual (M) da exposição (A) e (S), modos de prioridades, sistema de limpeza do sensor, etc. Produz arquivos em RAW e JPEG. Possui interessantes funções pré programadas (SCENE). O que deixa a desejar é ela dar apenas três disparos nos bracketings; o fotógrafo poderá sentir falta de mais disparos por série, especialmente em relação ao bracketing do EV.

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Para agradar os menos experientes a Nikon D5200 oferece úteis funções automáticas que incluem a detecção e o rastreamento de rostos em cena. Ela não se esqueceu de incluir no pacote interessantes recursos herdados da Nikon D5100, como o monitor LCD giratório que tanto facilita compor as cenas, boa variedade de filtros e de divertidos efeitos, além de função HDR que revela detalhes nas áreas de brilho e de sombra intensos.

A nova câmera ampliou ainda sua conectividade aceitando o adaptador opcional WU-1a para comunicar-se sem fios arquivos com smartphones ou tablets, o que facilita não só o envio e o compartilhamento das imagens como permite que você controle remotamente a Nikon D5200, fotografando por meio desses dispositivos.

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Prós

  • Sensor CMOS de altíssima resolução: 24,1 MP - possibilita fotos de até 51 x 34 cm, aplicando-se qualidade profissional de impressão
  • Monitor LCD giratório de 3 polegadas e de altíssima qualidade (921.00 pontos), facilita a captura dos mais diferentes ângulos, incluindo o autorretrato
  • Autofoco de 39 pontos sendo 9 cruzados para obter foco mais preciso
  • A Nikon D5200 possui luz assistente de foco, nem sempre presente em câmeras DSLR
  • Amplas escalas do EV (de -5 a +5) e ISO (atinge o fator 6400 ou 25600 na definição Hi2)
  • O D-Lighting Ativo intensifica os detalhes nas áreas de brilho e de sombra ao fotografar
  • Num clique, a função HDR tira 2 fotos e as combina para revelar superior gama dinâmica
  • Rápido modo contínuo: 5 fotos por segundo, bom para a cobertura de eventos esportivos
  • O processamento de arquivos RAW dentro da Nikon D5200 permite alterar seu tamanho, a exposição compensada (EV), o Balanço do Branco, aplicar o D-Lighting, etc.
  • Permite controlar o ruído em fotos tiradas com alto ISO ou em longas exposições; clarear sombras, fazer retoques, corrigir distorções ópticas e olhos vermelhos em fotos gravadas
  • Aplica filtros e efeitos, como o Miniatura (também em pequenos filmes) e o Cor Seletiva
  • A Nikon D5200 filma em Full HD com foco contínuo e ajustes manuais como do fator ISO e da velocidade. Som estéreo, volume regulável. Limite: 20 min. e meio ou 4 GB por filme
  • Edição dos clipes na câmera: é possível eliminar cenas e transformar frames em fotos
  • Mic externo (opcional) evita a gravação dos ruídos gerados pelo mecanismo da câmera
  • Aceita o adaptador wireless WU-1a opcional que facilita o compartilhar imagens e permite o controle remoto da Nikon D5200, fotografando por meio de smartphones e tablets

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Contras

  • O modo Live View não disponibiliza o foco de detecção de fase, apenas o de detecção de contraste que, por sua lentidão, costuma exigir a paciência dos fotógrafos das reflex
  • Será necessário adquirir lentes com estabilizador de imagem, já que a Nikon D5200 não dispõe deste recurso em seu corpo
  • As lentes também deverão ter motor de foco integrado, inexistente no corpo da câmera
  • Apesar de oferecer três tipos de bracketings (do EV, do Balanço do Branco e do D-Lighting) eles dão apenas três disparos por série, número bastante restrito especialmente em relação ao bracketing da exposição (EV)
  •  No modo Live View a Nikon D5200 não exibe histograma
  • Não disponibiliza o ajuste manual da abertura do diafragma durante as filmagens

A quem se destina

Fotógrafos iniciantes que não se contentam mais com fotos de celular, e querem melhor qualidade de fotos e vídeos, sem grandes complicações. Bom para fotografia geral completa com ótima qualidade de imagem. (paisagens, retratos, macro, foto social, viagens). 

Cabe colocar que a familia D5000 tem outras câmeras com melhorias na conectivide wi-fi e recursos de vídeo e telas touch screen.

 

 

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Review Nikon D7100

Review Nikon D7100

Câmera de design muito confortável e de robusta construção é dedicada à fotografia de qualidade semiprofissional ou mesmo profissional, a D7100 é equipada com um dos sensores de maior resolução no universo das digitais, 24,1 megapixels. Com tal resolução você poderá imprimir pôsteres: até os recortes das suas fotos terão boas chances de gerar cópias impressas de dimensões satisfatórias.

Possui visor óptico que mostra exatamente o que será fotografado (cobertura 100%). Sua tela LCD é de tamanho acima da média e de excepcional qualidade, mas não articula, o que dificulta a captura dos ângulos mais difíceis.

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 Tem controle manual (M) da exposição com modos de prioridades (A e S), foco manual e automático, sapata para flash externo e função flash remoto, produção de arquivos RAW, e JPEG em 3 qualidades diferentes. A D7100 possui interessantes funções pré programadas (SCENE) e cria imagens HDR, que ajuda o fotógrafo a tirar fotos com enquadramento bem nivelado. Permite programar a câmera para disparar automaticamente em intervalos de tempo predefinidos. A Nikon D7100 é alimentada por bateria recarregável inclusa.

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Qualidade de imagem

Com sensor CMOS de 24 Mp tem as cores adequadamente saturadas e confiáveis, alto nível de detalhes, foco e exposição precisos, excelente atuação nas fotos noturnas, a qualidade de imagem produzida pela Nikon D7100 se traduz num pacote de satisfações. É a ferramenta certa retratar a realidade, seja esta banhada de luz, sombria ou aquecida pela iluminação artificial.

Projetada para entregar fotografias de nível semiprofissional ou mesmo profissional, a Nikon D7100 apresenta baixo ou nenhum ruído até o fator 1600 do ISO. A granulação aparece ao elevar o fator para 3200, mas as cores e os detalhes se mantêm e se área for razoavelmente iluminada, você ainda conseguirá utilizar recortes, reduzindo ligeiramente seus tamanhos. Já a partir do fator 5600 será preciso reduzir mais as fotos para disfarçar a granulação e a suavidade dos detalhes. Ainda assim essas fotos serão bastante utilizáveis.

Prós

  • Sensor CMOS de 24,1 MP - fotos de até 51 x 34 com qualidade profissional de impressão
  •  Partes em liga de magnésio e vedação que protege contra a poeira e umidade
  • Enorme LCD de 3,2 polegadas e de altíssima qualidade, constituído por 1.228.800 px
  •  Excelente visor óptico aumenta o prazer de fotografar com a Nikon D7100
  • Modo de corte 1,3x promove alcance extra ao comprimento focal, em fotos e filmes
  •  51 pontos de foco (15 cruzados) com seguimento 3D de objetos em movimento
  • Boa performance em assuntos de ação: tira 6 fotos por segundo no modo contínuo, ou 7 fotos por segundo na opção 1,3x
  •  Possui luz assistente de foco, nem sempre utilizada pelas câmeras concorrentes
  • Ampla escala da exposição compensada (EV), vai de -5 a +5
  •  A sensibilidade ISO da Nikon D7100 atinge o fator 6400, expansível até o 25600
  • O D-Lighting Ativo intensifica os detalhes nas áreas de brilho e de sombra ao fotografar
  • Processa arquivos RAW (ajustando o EV, Bal. Branco, etc.) na própria Nikon D7100
  •  Permite corrigir distorções ópticas e olhos vermelhos em fotos gravadas; aplicar filtros e efeitos como o Miniatura; possui a função HDR; tira fotos em intervalos predefinidos, etc.
  • Grava vídeos Full HD (de até 30 minutos ou 4 GB) com som estéreo (volume ajustável) e foco continuo. A Nikon D7100 possui conector para fone de ouvido e recursos de edição
  • Segundo o fabricante, produz até 950 fotos por carga da bateria recarregável inclusa
  •  Slots para dois cartões de memória, o que possibilita becaps, entre outras tarefas

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 Contras

  • Em câmeras deste tipo e faixa de preço seria de se esperar que o LCD fosse articulável
  • A Nikon D7100 não exibe histograma no Live View para consulta antes do clique. O recurso surge apenas na revisão das fotos gravadas pelo monitor
  •  Será preciso comprar lentes com estabilizador, já que a câmera não possui este recurso
  • Não é possível ajustar manualmente a abertura ao filmar com a Nikon D7100
  • Número de disparos por série no modo contínuo poderá prejudicar a cobertura de assuntos de ação, em especial ao fotografar no modo RAW quando a Nikon D7100 dá apenas 6 disparos por sequência
  • Sem saída para TV convencional, apenas HDTV (cabo não incluso, como é o padrão)
  • Função HDR mescla apenas duas fotos em vez de três como faz a maioria das câmeras

A quem se destina

 Fotógrafos Iniciantes a intermediários que querem aprender controles manuais. Quem busca um ótimo- custo benefício em fotografias estáticas (paisagens, retratos, macro)

Fotógrafos intermediários que querem fotos com muito detalhe e também confiabilidade de fotografias em viagens, retratos e eventos

 

 

 

 

 

 

 

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Templo Zulai - Cotia SP

31044964461?profile=RESIZE_584xTemplo Zulai – Cotia (SP): espiritualidade, arquitetura e contemplação.

Localizado em Cotia, na região metropolitana de São Paulo, o Templo Zulai é um dos mais importantes centros do budismo chinês no Brasil e um espaço que convida à contemplação, ao silêncio e à observação atenta — qualidades que dialogam profundamente com a fotografia.

31044987271?profile=RESIZE_400x  Fundado em 2003 pela Ordem Budista Ch’an, o templo segue a tradição Chan (equivalente ao Zen japonês), que valoriza a meditação, a simplicidade e a harmonia entre mente, corpo e ambiente. Seu nome, Zulai, é uma adaptação do termo chinês Tathāgata, um dos títulos dados a Buda, significando “aquele que veio assim”.31044987288?profile=RESIZE_710x A arquitetura do templo impressiona logo na chegada. Inspirada nos grandes mosteiros chineses, ela combina simetria, linhas sólidas, telhados curvos e cores simbólicas, como o vermelho, o dourado e o verde. Cada elemento arquitetônico carrega significados ligados à proteção, sabedoria e equilíbrio espiritual, tornando o espaço extremamente rico para o olhar fotográfico.

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 No interior, o altar principal abriga imponentes estátuas budistas, cuidadosamente esculpidas e dispostas de forma hierárquica. A figura central de Buda, serena e monumental, é cercada por bodhisattvas e guardiões, criando uma atmosfera de respeito e introspecção. A iluminação suave, o uso do dourado e os detalhes ornamentais reforçam a sensação de transcendência e silêncio.31044988066?profile=RESIZE_710x Espalhadas pelo complexo, outras estátuas, lanternas, jardins e caminhos complementam a experiência visual. O paisagismo é pensado para conduzir o visitante à calma, com lagos, vegetação bem cuidada e espaços abertos que favorecem a contemplação. Para o fotógrafo, cada ângulo revela um diálogo entre luz, forma, espiritualidade e arquitetura.

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Mais do que um ponto turístico, o Templo Zulai é um espaço vivo, onde acontecem práticas de meditação, cerimônias e atividades culturais abertas ao público. Fotografar ali exige não apenas técnica, mas também respeito ao ambiente e às pessoas, entendendo que cada imagem nasce de um lugar sagrado.

31044989098?profile=RESIZE_710xRegistrar o Templo Zulai é, acima de tudo, um exercício de observação sensível — um convite a desacelerar, enxergar os detalhes e permitir que a fotografia vá além do registro, tornando-se também contemplação. Ah, e tem a época da flor de lótus!!

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Fotografando a "Volta do Castelo" em filme Raio-X

A Volta do Castelo foi um evento recorrente entre os anos 30 e os anos 60 na cidade de Campinas, onde carros da época participavam de uma corrida que tinha como parte do percurso o balão onde a torre do Castelo fica localizada. Atualmente a corrida não é mais realizada oficialmente, porém são feitas simulações no local com os carros da época para que novas pessoas possam conhecer de forma mais imersiva esse evento histórico, e também para que a história da cidade seja preservada.
Ano passado, ao ver que o evento seria realizado, fiquei interessada em ir até lá e fotografar os carros antigos. Pensei então que seria uma oportunidade muito legal se eu usasse um meio de captura de imagem que já estava presente na época: a chapa de Raio-X.
Para o uso desse tipo de filme em câmeras analógicas é necessária uma série de processos manuais até que o momento da fotografia propriamente dito, desde o recorte das chapas Raio-X até a perfuração e re-introdução do filme à bobinas vazias. Hoje em dia, existem pouquíssimos lugares no Brasil e no mundo que realizam esse processo, sendo um deles localizado em São Paulo (onde adquiro os meus).

As dificuldades no processo não acabam na bobina pronta para ser utilizada, pois esse tipo de filme não foi projetado para uso em câmeras analógicas convencionais. Diferentemente dos filmes 35mm convencionais, o Raio-X é extremamente grosso e apresenta grande resistência em ser avançado pelas câmeras, mesmo as de avanço manual. Não é recomendado o uso em câmeras "saboneteiras" ou câmeras mais frágeis, visto que o equipamento pode ser danificado pelo excesso de esforço.
Após fotografar o rolo inteiro é necessária a etapa de revelação, que felizmente segue o mesmo processo dos filmes preto e branco convencionais (D-76), por fim o filme é scaneado/ampliado e então é possível conferir os resultados.

 

As fotos a seguir foram realizadas por mim com minha Canon EOS 650 (1987) e a lente EF 50mm 1.8
O filme foi medido e revelado para ISO 800
 

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 Para referência e curiosidade, aqui está um scan do negativo sem conversão para o positivo (reparem a tonalidade azul, assim como nas chapas Raio-X médicas):

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Entrevista com Gustavo Minas

A fotografia de rua é um território onde o acaso, a observação e a sensibilidade se encontram. Entre os nomes mais relevantes da fotografia de rua contemporânea no Brasil, Gustavo Minas se destaca por um olhar preciso, atento às relações entre pessoas, espaço urbano, luz e cor. Aproveitem para visitar o site do Gustavo! E o instagram!
Nesta conversa com o Clube da Fotografia Campinas, Gustavo fala sobre sua trajetória, processo criativo, escolhas estéticas e reflexões sobre fotografar a cidade nos dias de hoje.

1️⃣ Início

Como a fotografia entrou na sua vida e em que momento você percebeu que a rua seria o seu principal campo de criação?

Eu tinha estudado um pouco de técnica durante a faculdade de jornalismo, no começo dos anos 2000, mas foi só quando eu fiz um curso com o Carlos Moreira em SP, em 2009, que a fotografia realmente “bateu”, porque o curso dele não era nada voltado à técnica, e sim à linguagem, e foi lá que fui descobrindo toda a tradição da fotografia, especialmente a de rua. Começando com preto-e-branco, André Kertész, Bresson, Atget, Lee Friedlander, até chegar nos mais contemporâneos de cor, como Harry Gruyaert, Alex Webb, Saul Leiter, Pinkhassov… desde então não parei mais. 

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2️⃣ O olhar na cidade

O que mais te atrai nas ruas: as pessoas, a arquitetura, a luz ou o imprevisível dos encontros?

A luz é o fator que me guia. Se tem uma cena interessante acontecendo, mas não tem luz sobre ela, até faço a foto, mas depois não me convence tanto. Tenho um pouco de obsessão com isso, com como as coisas mudam sob certas luzes. Acho que até as coisas mais banais ficam interessantes se a luz está “certa”. Ela dá uma vibração diferente para os objetos e parece que transforma as pessoas na rua em atores de cinema.

3️⃣ Influências

Quais fotógrafos ou referências visuais foram fundamentais na construção do seu olhar fotográfico?

O Carlos Moreira foi fundamental pelo rigor com a construção da imagem. Me ensinou muito sobre como compor, organizar o quadro - coisas que ele mesmo aprendeu estudando tão a fundo o Henri Cartier-Bresson.

Mas como comentei, fotógrafos de cor mais contemporâneos me influenciaram ainda mais na prática, porque percebi que a luz do trabalho de caras como Alex Webb, Gruyaert ou Pinkhassov era meio parecida com a que eu enxergava no Brasil, e também pelo fato de eles fotografarem coisas mais próximas da minha realidade, que não tinha nada a ver com a Paris dos anos 30 a 50 do Bresson ou do Kertész. Compreender que eu não dependia de fatos extraordinários para fazer fotos foi muito libertador. Entre os brasileiros, também gosto muito do Luiz Braga e do Miguel Rio Branco, pra ficar nos mais “antigos”.31036942074?profile=RESIZE_584x

4️⃣ Processo criativo

Quando sai para fotografar, você parte de uma ideia prévia ou prefere se deixar conduzir totalmente pelo que acontece?

Prefiro me deixar surpreender, apesar de ter um pouco de programação a respeito de tentar estar nos lugares com bastante movimento na hora certa, em que a luz vai estar “boa”. Mas não consigo nem tenho vontade de ficar preconcebido as imagens.

5️⃣ Técnica e equipamento

Qual é o papel da técnica e do equipamento no seu trabalho e como você equilibra isso com a intuição?

O equipamento só tem que responder rápido o suficiente para acompanhar a intuição, e é isso que eu procuro. Não penso que a câmera não importa, mas nem sempre as mais caras e com mais recursos são as melhores. O ideal é ter essa fluidez, em que os movimentos dos dedos acompanhem o olhar e o pensamento. 

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6️⃣ Cor, forma e composição

A cor e a composição são elementos muito marcantes no seu trabalho. Como essas escolhas acontecem no momento do clique?

Muito intuitivamente, porque cada situação pede uma abordagem e determina uma resposta diferente. Tem situações muito caóticas que é melhor excluir algumas cores da composição, para manter uma paleta mais limitada, e tem situações não muito interessantes visualmente em que um pouco de cor pode fazer a foto. Também não é que eu fique analisando a paleta de cores com muita minúcia, vou fotografando olhando pelo visor e tentando entender se tem harmonia no quadro.

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7️⃣ Edição e curadoria

Depois da captura, como é o seu processo de edição e seleção das imagens? Você é rigoroso nessa etapa?

Eu gosto de tratar as fotos assim que consigo, mas demoro seis meses para publicar online. Isso me força a ter um olhar um pouco mais frio sobre as fotos, e também a estar sempre analisando minha produção, as evoluções e involuções, ehe. Na hora de postar, gosto de organizar em pequenas séries, isso me ajuda a exercitar sempre a edição. E na hora de escolher pro site ou livro, aí sim vem um trabalho um pouco mais rigoroso, com mais tempo.

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8️⃣ A fotografia de rua hoje

Como você enxerga a fotografia de rua na atualidade, especialmente em um contexto dominado pelas redes sociais e pelo imediatismo das imagens?

Muito difícil responder a essa, porque tem muitas fotografias de rua por aí, desde a boa e velha até a fotografia urbana, passando pelos retratos de moças bonitas do TikTok. O que eu sempre tento ter em mente é que a (minha) fotografia de rua não é pra ser pro agora. Claro que é bacana compartilhar, mas o pensamento tem que ser pra frente, temos que lembrar que estamos construindo um documento sobre nossas experiências nas cidades e sobre a população. E acima de tudo, o mais importante é o lado invisível e intraduzível em imagens da fotografia, que é a experiência em si de andar por aí com a cabeça aberta, observando, se integrando e se esquecendo de si mesmo.

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A fotografia de rua, mais do que um registro do cotidiano, é um exercício constante de atenção, respeito e construção de linguagem. A obra de Gustavo Minas nos lembra que fotografar a cidade é, antes de tudo, aprender a olhar — com tempo, sensibilidade e intenção.
Agradecemos imensamente a disponibilidade e generosidade em compartilhar seu olhar e sua experiência com o Clube da Fotografia Campinas.

Todas as fotos foram gentilmente cedidas pelo Gustavo Minas que autorizou a publicação pelo Clube da Fotografia Campinas

 

 

 

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Canon EOS R6 Mark III

EOS R6 Mark III — suas principais características e recursos.

Visão Geral

A Canon lançou a R6 Mark III em 2025 como uma mirrorless full-frame versátil, voltada para fotógrafos e criadores de vídeo que buscam alto desempenho tanto em foto quanto em vídeo.

Ela representa uma evolução significativa dentro da linha R, equilibrando resolução, velocidade, estabilização e recursos híbridos.

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Principais Recursos e Destaques

Sensor e Imagem

Sensor CMOS full-frame de 32,5 megapixels — mais detalhado que o modelo anterior.

ISO nativo de 100–64.000 (expansível até 50–102.400), oferecendo boa flexibilidade em diferentes situações de luz.

Excelente equilíbrio entre resolução e desempenho em baixa luz — ideal para retrato, paisagem, eventos, etc.

Velocidade

Disparo contínuo de até 40 fps com obturador eletrônico.

Buffer grande: suporta até 150 RAW ou 330 JPEG no burst — ótimo para esportes, ação ou momentos imprevisíveis.

Função de pré-disparo contínuo: a câmera “captura o que precede o clique” — útil para não perder o momento decisivo.

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Estabilização

Estabilização de imagem no corpo (IBIS) com até 8,5 stops de correção — excelente para fotos com pouca luz, mão livre ou uso de lentes sem estabilização.

Correção periférica para lentes grande-angulares — ajuda a evitar distorções e vibrações indesejadas.

Autofoco e Rastreamento

Sistema Dual Pixel CMOS AF II com detecção de pessoas, animais e veículos — rápido e confiável mesmo em luz baixa.

Cobertura ampla de pontos de foco, garantindo precisão e versatilidade em retrato, rua, eventos ou ação.

Vídeo — Forte ponto da câmera

Gravação em 7K RAW Light a até 60 fps — nível de cinema, ótimo para quem produz vídeo profissional.

4K oversampled e vídeo até 120 fps, ideal para slow motion e conteúdo social media.

Função Open Gate 7K 30p — grava com uso total do sensor, permitindo reenquadragens flexíveis para diferentes formatos (16:9, 9:16, etc.).

Perfil Canon Log 2/3, ampla latitude de exposição e recursos profissionais como waveform, áudio 4 canais e monitor HDMI full-size.

Ergonomia e Usabilidade

Corpo robusto, compacto e selado contra intempéries — ideal para uso em campo, eventos e viagens.

Visor eletrônico OLED de alta resolução + tela articulada sensível ao toque, facilitando enquadragens criativas.

Dois slots de cartão: CFexpress Type B (alta velocidade) + SD UHS-II — ótimo para fluxo híbrido foto/vídeo e backups imediatos.

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Conectividade moderna: Wi-Fi, Bluetooth, USB-C e saída HDMI full — útil para transferência, streaming ou gravação externa.

Para quem a R6 Mark III é ideal? (claro se puder disponibizar $2.799 só o corpo e $4.049 com a lente 24-105mmf/4. Preço nos EUA) 

Essa câmera é excelente para quem busca versatilidade total — fotógrafos de retrato, casamentos, eventos, esportes, natureza; e também para videomakers: documentários, vídeos sociais, produção híbrida. A combinação de alta resolução + velocidade + vídeo 7K coloca a R6 Mark III como uma arma poderosa tanto para foto quanto para vídeo.

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Drop Photography (Fotografia de Gotas)

Drop Photography — A Arte de Congelar o Instante Invisível.

A drop photography é uma técnica fotográfica que captura o impacto e a forma das gotas de água no exato momento em que tocam uma superfície líquida. Embora pareça simples, esse tipo de fotografia combina precisão, paciência e controle absoluto da iluminação.

31016915890?profile=RESIZE_584xO segredo está na alta velocidade: utiliza-se um flash extremamente rápido e uma câmera configurada com obturador rápido ou em modo bulb, dependendo da técnica empregada. Em estúdio, o flash é quem realmente “congela” o movimento, por isso é comum usar flashes com curta duração de disparo (1/20000s ou menos).

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A captura pode ser feita de forma manual, mas muitos fotógrafos trabalham com controladores de gotejamento, que liberam gotas em intervalos precisos, permitindo formar coroas, cogumelos, colunas, discos e outras formas impressionantes. A sincronização perfeita entre a queda da gota e o disparo do flash é o que transforma um simples respingo em uma escultura de água. No meu caso, depois de muito pesquisar, precisei tomar 'soro' no hospital e observando o gotejar do líquido (Equipo de Soro), EUREKA, descobri o caminho das Indias!!

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A iluminação também é essencial: fundos coloridos, géis no flash, líquidos pigmentados e recipientes variados ampliam a paleta de tonalidades e criam efeitos vibrantes — como sua série super colorida. Pequenos ajustes no tamanho da gota ou no tempo entre duas gotas geram resultados totalmente diferentes, tornando cada fotografia única. Usei muito os corantes para tinta latex misturado a água, e também um espessante alimentar para 'pesar' um pouco a água.

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Em essência, a drop photography é a união entre técnica, experimentação e um pouco de magia. É transformar milissegundos invisíveis ao olhar humano em imagens de impacto, cheias de cor, energia e surpresa.

 

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Fotografia de Espetáculo |BALLET|

Fotografar um espetáculo de ballet é capturar a delicadeza do movimento no instante perfeito. Para obter as melhores imagens, domine a luz do palco, trabalhando com ISO moderado e velocidade alta para congelar saltos e giros. Antecipe as coreografias observando ensaios e estudando o ritmo da música. Busque ângulos limpos, valorize linhas, silhuetas e expressões, e dispare no momento em que técnica e emoção se encontram. No ballet, cada clique deve respeitar a poesia da dança — e transformá-la em eternidade.

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Flores da natureza e flores da arquitetura

Dupla exposição ou a sobreposição de imagens é uma técnica criativa que usa de duas ou mais fotos empilhadas de modo que a imagem final seja a mistura das imagens.

O uso de imagens que tem afinidade entre si ou que podem ser completamente opostas, geram imagens interessantes e provocativas, quando não, transgressoras daquilo que se objetiva em uma fotografia de quadro único.

É necessário uma certa ousadia, domínio das técnicas de composição e do equipamento em si.O resultado final pode ser obtido no próprio equipamento se a função de sobreposição existe no menu, ou no Photoshop. Para os adeptos do celular um bom app para isso é o Snapseed. O resultado final acontece na edição independente da ferramenta utilizada.

Na imagem em questão, enxerguei que a graça e a delicadeza das flores do cerrado do planalto central se harmonizavam com a graça e a beleza das curvas da arquitetura de Niemeyer, branca e limpa.

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ICM no Parque Ecológico

Foi muito proveitoso a ida até o Parque Ecológico com o amigo Mark para treinar fotos ICM.

Fotografia ICM (Movimento Intencional da Câmera)

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Fotografia ICM, ou Movimento Intencional da Câmera, é uma técnica em que a câmera é deliberadamente movida durante a exposição para criar imagens abstratas e artísticas. Esse método resulta em efeitos únicos, como borrões e texturas, que transformam o comum em algo visualmente impressionante.

A Intenção na Fotografia

A intenção é um aspecto crucial na fotografia, referindo-se ao propósito ou à emoção que o fotógrafo deseja transmitir. Em ICM, essa intenção se torna ainda mais evidenciada, pois o movimento da câmera é estrategicamente planejado para comunicar sensações específicas, como fluidez ou drama. Essa abordagem permite ao fotógrafo contar histórias visuais mais ricas, guiando o espectador uma experiência única e envolvente.

 

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O Movimento como Dimensão da Imagem

Em ICM, o movimento assume uma dimensão adicional na imagem, alterando não apenas a captura da cena, mas também a narrativa visual. Essa nova dimensão permite que o espectador sinta não apenas a aparência, mas também a dinâmica da imagem. Assim, o movimento contribui para uma sensação de fluidez e emoção, enriquecendo a apresentação e oferecendo interpretações variadas.

Considerações Técnicas e Estéticas

Como em qualquer fotografia, ao praticar ICM, os aspectos técnicos e estéticos são fundamentais para o sucesso da imagem:
- Assunto: Escolher um tema que possa se beneficiar de movimentos expressivos e de abstração.
- Luz: A qualidade e a direção da luz podem alterar dramaticamente a percepção da cena; luz suave pode criar um efeito etéreo, enquanto luz dura pode intensificar texturas.
- Harmonia de Cores: Utilizar uma paleta de cores harmoniosa pode aumentar a coesão visual e a emoção da imagem, ajudando a transmitir a intenção do fotógrafo.
- Composição: Uma boa composição, mesmo em imagens abstratas, ajuda a orientar o olhar do espectador e a dar sentido à imagem.
- Simplificação: Reduzir elementos distrativos no quadro ajuda a criar um foco claro, permitindo que o movimento da câmera ganhe destaque.

Como Praticar ICM

- Escolha do Sujeito: Optar por cenas que tenham cores vibrantes ou formas interessantes.
- Configurações da Câmera: Usar uma velocidade de obturador lenta (geralmente entre 1/4 e 1/30 de segundo) para capturar o movimento.
- Movimento da Câmera: Aplicar movimentos verticais, horizontais ou diagonais com a câmera enquanto o obturador está aberto.
- Experimentos: Testar diferentes velocidades e movimentos para criar uma variedade de efeitos artísticos.

ICM é uma abordagem criativa à fotografia que destaca a intenção e o movimento como dimensões essenciais da imagem, promovendo uma experiência visual mais profunda.

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