Depois da Máscara

O Pierrot é, historicamente, o arquétipo do amor não correspondido, da sensibilidade exposta, do artista vulnerável. Aqui, porém, ele não está em cena. Não há público. Não há carnaval.
Ele está sentado.
A máscara — elemento central do Carnaval Veneziano — não celebra, ela silencia. O rosto oculto não representa festa, representa distância. A luz lateral modela o tecido com precisão quase escultórica, transformando o traje em relevo, como se fosse mármore moldado pelo tempo.
Os tecidos espalhados ao chão sugerem excesso, sobra, memória. Talvez sejam vestígios de outras máscaras. Talvez sejam o próprio palco abandonado.
O fundo escuro é absoluto. Não há arquitetura, não há Veneza, não há festa. Há apenas o indivíduo por trás da personagem.
A fotografia, nesse sentido, toca numa contradição profunda: o Carnaval como explosão pública e o Pierrot como solidão íntima.
É uma imagem sobre o que permanece quando a música termina.
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